Surge o cantor

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Foto jornal Silas Cafe 1985

Foto de jornal de 1985 - Silas e Café

Tenho orgulho de dizer: foi ao microfone da escola do meu coração, que tomei gosto por cantar. Foram noites e noites, na quadra, animando o povão que comparecia aos ensaios. A poeira subia mesmo, e a empolgação, quando cantávamos os sambas enredos, que ficaram na história. Na avenida, no carnaval, a responsabilidade aumentava. Era preciso dar o tom certo, levar a escola a cantar em uníssono, sem “atravessar” as lindas melodias que embalavam os desfiles. Primeiro, na Presidente Vargas, onde o povo assistia as escolas passarem em cima de caixotes de madeira, tonéis vazios de vinho e cerveja, que sabe-se lá de onde saíam. Depois, no Sambódromo, cuja estrutura oferecia mais conforto às pessoas, mas exigia dos intérpretes cuidados maiores com a harmonia.

Por toda essa minha história com a escola é que fiz questão que fosse lá, no Império Serrano, o lançamento dos meus discos.  Nessas ocasiões, os companheiros da ala dos compositores, me recebiam não mais como o Silinhas ou Silas II, mas como Silas de Andrade. No entanto, o carinho que me dispensavam tinha a mesma intensidade dos velhos tempos e o meu retorno à ala dos compositores só não aconteceu por impedimentos profissionais, fora do mundo do samba. Inclusive, certa ocasião, recebi um convite para comparecer à escola. Nesse dia, fui recebido pela Velha Guarda imperiana, que ali estava em peso, para me homenagear com uma linda placa de prata, que guardo até hoje. Para completar, enquanto eu cantava, todos os companheiros de ala se colocaram à minha volta, no palco, em um gesto simbólico de reintegração. A emoção estampada nos rostos de cada uma daquelas sumidades do mundo do samba me garantiu a certeza de que sou, realmente, Fruto da Raiz.

Aliás, essa música se destacou muito, e logo em seguida gravei Minha Cigana. Esta já estava sendo bastante executada, e “estourou”, depois que apareci em um programa de grande audiência nacional – o Fantástico, da tevê Globo. Recebi então muitos outros convites da mídia de norte a sul. Destaco a homenagem que me prestaram na festa da Rádio Princesa, em Porto Alegre (RS), no estádio do Gigantinho.

Tudo isso favoreceu que eu gravasse um segundo disco solo, em 1986 – Fogo de Saudade. Nesse trabalho dei continuidade à minha proposta de divulgar composições condizentes com meu estilo romântico. Esse lançamento coincidiu com uma fase de grande repercussão da música popular brasileira mais autêntica. Pude selecionar músicas de grandes nomes como Adilson Vitor, Sombrinha, Jorge Aragão, Alceu Maia, Mauro Diniz, Ratinho, entre outros. Nem mesmo a fraca divulgação desse trabalho, o que acabou por me levar a rescindir o contrato com a gravadora, impediu que esse disco fosse tocado nas emissoras.

Com a explosão comercial de um outro gênero de música, dei um tempo. Decidi me dedicar apenas aos estudos e composições musicais. Enquanto isso, preparei, sem pressa e sem pressões, meu primeiro CD. Então, assim que o samba de raiz retornou à cena musical, lancei uma coletânea com as composições dos meus discos em vinil. Já Mudança dos Ventos, em 2004, foi um CD autoral, que me permitiu concretizar um sonho, pois nele interpreto vários estilos musicais.

Apresento agora, em 2010, ao meu público, e às emissoras que não se impuseram somente a veiculação de música comercial, um novo CD – Balanço das Ondas. O processo de produção, mais uma vez, foi longo e cuidadoso, e algumas faixas desse CD, antes mesmo de seu lançamento, já despertavam o interesse dos programadores e ouvintes. Pode ser até que você tenha ouvido alguma delas: Bom de Viola, Amor Serrano, Ponto Final e Brasileirinho no Samba. A expectativa agora é em torno da repercussão das outras 12 músicas. Em especial, Decisão, a minha música de trabalho, que você pode conhecer, se clicar aqui.