As primeiras composições

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Por volta das décadas de 1960 e 70, o samba ainda era visto com desconfiança por certas pessoas de classes sociais mais abastadas. Esse pouco prestígio da nossa música mais autêntica inspirou a minha primeira composição, em parceria com meu amigo de infância, Aimoré Cassano de Almeida, o Café, que chamamos de Brasileirinho no Samba, e que se constituiu também em uma homenagem a Waldir Azevedo.

Dos papos musicais com meu amigo Café surgiu logo outra composição – Fruto da Raiz – mais que um samba, uma verdadeira declaração de amor, onde ambos exaltávamos a Serrinha, nossa influência musical de referência. Mas nesse meio tempo, eu já cantava minhas composições, na quadra da escola Império Serrano, o reduto dos moradores da Serrinha e adjacências, e fui notado pela diretoria. Logo veio o convite honroso para, junto com Antonio Damasceno, me tornar puxador de samba ou “crooner” oficial da verde e branca de Madureira, função que exerci de 1966 a 1970. Era costume, nessa época, cantores de nome serem convidados, pela escola, para prestigiar o desfile, cantar o sambar enredo. Então, cantei ao lado de Jorge Goulart e Nora Ney, famosos no Brasil todo por seu talento e suas apresentações nos programas da Rádio Nacional.

Demorou um pouco até que o Brasileirinho no Samba, cantada por Café, obtivesse o tão sonhado reconhecimento da mídia. Isso aconteceu na década de 1980, e fui estimulado por comunicadores do porte de Adelzon Alves, Arlenio Livio e Reginaldo Terto, a também gravar um tape, interpretando Fruto da Raiz, em 1984. O sucesso dessa música gerou um convite para gravá-la no vinil Sambas e Pagodes no Botequim do Império (v.1). Com o nome artístico de Silas de Andrade, cantei ainda, nesse disco, outra composição minha – Senhores da Guerra.

A repercussão desse trabalho superou as nossas expectativas. Fui convidado a integrar o cast da Continental, e logo em seguida, saiu meu primeiro disco solo, Fruto da Raiz. Concretizei então um sonho há muito acalentado, pois a música título era, justamente, aquela de exaltação à Serrinha, ao Império Serrano. Porém a seleção das músicas para esse disco havia sido criteriosa, sob a supervisão de Hailton Ferreira, e entraram autores de nome como Monarco e Ratinho (Minha Adoração), Nei Lopes e Wilson Moreira (Mironga do Mato), Franco e Arlindo Cruz (Amor Perfeito), Dida e Dedé da Portela (A Força do Samba), entre outros. Ou seja, foi um disco todo realizado para ser sucesso. No entanto, a música que despontou foi Minha Cigana de Neném do Cavaco, Iran Silva e Carlinhos Madureira. Foi essa que meu público escolheu, e que ainda hoje é associada ao meu nome como cantor. Tanto que eu a regravei nesse novo CD – Balanço das Ondas – lançamento de 2010.