O começo de tudo: os anos 1960

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Carteira Império Serrano

Carteira de Compositor n. 23 do Império Serrano (tirada em 1967)

Principiei na música criando versões para sucessos em inglês, que era moda naquele tempo. Tomei gosto. Comecei a versejar e a musicar. Fiz boleros, samba-canção, de tudo um pouco. Essas minhas primeiras composições guardei só para mim. Um dia, na quadra do Império Serrano, aonde eu ia com meus amigos, mais para ver as meninas sambarem, tive a idéia de fazer um samba de terreiro. Acho que fiquei empolgado com o clima da quadra. Nos ensaios da escola, no antigo Mercado de Madureira, a poeira subia mesmo, pois o piso era de terra batida, a céu aberto. Não pude participar do festival de samba de terreiro, o Tamborins de Ouro, patrocinado por uma marca de refrigerantes, que tentava conquistar o mercado brasileiro, mas cantei tanto esse samba, que um desses meus amigos, Oswaldo Clemente, o Tetengo, insistiu em levar até o Presidente da Ala dos Compositores. Fui sabatinado por nomes como Silas de Oliveira, Aloísio Machado, Mano Décio da Viola. Tive que cantar outros cinco sambas para ser aprovado. Acabei sendo acolhido por essas figuras como filho, era o caçula da Ala, conhecido pelo meu próprio nome, Silas, mas para não confundir com o já famoso, de Oliveira, passaram a me chamar de Silinhas ou Silas II.

Nesse tempo, próximo ao carnaval, as ruas de Madureira se enchiam com os sons vindos das arquiinimigas musicais Portela, a azul de branca, na Estrada do mesmo nome, e Império Serrano, verde e branca, ao lado da via férrea, próxima da Estação de Magno, que hoje não existe mais. Havia uma verdadeira disputa entre os adeptos de uma e de outra, que muitas vezes eram vizinhos cordiais, mas nas quadras, não se admitia mistura. Cada uma ocupava seu lugar e não aconteciam visitas de cortesia, como passou a acontecer anos mais tarde, já na década de 1990, quando o samba foi adotado pelos do asfalto. Passou a ser moda desfilar. As pessoas, nem sempre moradoras do bairro, começaram a desfilar por várias escolas no mesmo ano. Perdeu-se um pouco o amor pelas cores das agremiações que marcavam e distinguiam uma Escola da outra. Outros tempos, outros costumes…